Opinião
Sombra das mangueiras na calçada
Opinião
Os mangueirais cuiabanos impediam a entrada do sol nos quintalões e estendiam seus generosos braços sobre as calçadas, oferecendo sombras inesquecíveis.
Essas sombras, que se espalhavam por quase toda a cidade, eram não apenas refúgio contra o calor, mas também ponto de encontro de conversas que só o tempo lento permitia.
O calorão de Cuiabá sempre interferiu nos hábitos da cidade —até no nosso jeito de falar.
Falamos com a boca aberta, para respirar melhor, fato que já despertou a curiosidade dos estudiosos.
Pelo linguajar, até medimos distâncias, como quando dizíamos que a antiga lavadeira morava …lá…no Despraiado.
Perdemos os casarões, os quintalões, a sombra dos mangueirais e os encontros nas calçadas.
Cuiabá nunca teve um plano diretor de arborização, e a especulação imobiliária destruiu o que a natureza nos havia ofertado.
A sociedade civil organizada, após amplo debate com universidades, Governo do Estado, Assembleia Legislativa e população em geral, levou um projeto à Câmara dos Vereadores para discussão, aprovação e sanção do prefeito — ele próprio arquiteto-urbanista.
Só assim poderemos sonhar novamente com a sombra das árvores encobrindo nossas calçadas.
Cuiabá é conhecida como ‘Cuiabrasa’, a cidade mais quente do Brasil.
Pelo progresso, perdemos uma cidade arborizada, cortada por córregos e riachos, com tanques de água que amenizavam o calor.
Eu aproveitei esses caprichos da natureza para me banhar e refrescar.
E como esquecer os banhos de chuva — alegria de gerações?.
Banhos nos rios Coxipó da Ponte e do Ouro, além do Cuiabá, completavam essa paisagem generosa.
Ainda hoje, os córregos abundam, formando pequenas lagoas ao longo da rodovia Cuiabá-Chapada dos Guimarães, onde o clima é bem mais ameno.
Como não sentir saudade daquela Cuiabá de outrora, tão cativante e acolhedora?.
Não é saudosismo — é apenas reconhecer que perdemos o que tínhamos de mais belo.
Gabriel Novis Neves é médico, ex-reitor da UFMT e ex-secretário de Estado
Opinião
CPMI do INSS: 2025 revelou o escândalo, 2026 entregará justiça
O ano de 2025 ficará marcado como um divisor de águas na história recente da Previdência Social brasileira. Foi nesse contexto que a CPMI do INSS, da qual sou autora, trouxe à tona um dos maiores esquemas de fraudes já registrados contra aposentados e pensionistas do país.
Falamos de desvios bilionários, de descontos indevidos, de associações fantasmas e de um sistema que, por anos, operou à sombra da fragilidade institucional e da ausência de fiscalização efetiva.
A CPMI cumpriu seu papel. Investigou, reuniu provas, ouviu vítimas, convocou responsáveis e expôs uma engrenagem criminosa que se aproveitou justamente de quem mais precisa da proteção do Estado: idosos, pessoas com deficiência e trabalhadores que contribuíram durante toda a vida.
Não se tratou de narrativa política, mas de fatos documentados, contratos simulados, autorizações fraudadas e conivência administrativa. Mas é preciso dizer com clareza: investigar é apenas o primeiro passo.
Entramos em 2026 com um desafio ainda maior. O desafio de transformar as conclusões da CPMI em responsabilização efetiva, punição exemplar e, sobretudo, mudanças estruturais que impeçam a repetição desses crimes. É aqui que o papel da oposição se torna ainda mais decisivo.
A oposição não pode, e não vai, permitir que o relatório da CPMI vire mais um documento esquecido nas gavetas do poder. Nosso compromisso é cobrar o encaminhamento das investigações aos órgãos competentes, acompanhar cada desdobramento no Ministério Público, nos tribunais e nos órgãos de controle, e pressionar esse desgoverno para que adote medidas concretas de proteção aos beneficiários do INSS.
Fraudes dessa magnitude não acontecem sem falhas graves de gestão, fiscalização e governança. Ignorá-las é compactuar com elas. Por isso, seguiremos exigindo transparência, auditorias permanentes, revisão dos convênios com entidades associativas e mecanismos tecnológicos que garantam consentimento real e informado dos beneficiários.
Mais do que um debate político, estamos falando de justiça social. Cada real desviado do INSS representa menos dignidade para quem depende da aposentadoria para comprar remédios, pagar contas básicas ou simplesmente sobreviver. Não há ideologia que justifique o silêncio diante disso.
Se 2025 foi o ano em que o Brasil conheceu a dimensão do problema, 2026 precisa ser o ano da resposta. A oposição estará vigilante, atuante e firme, porque proteger o dinheiro dos aposentados não é favor, é obrigação constitucional.
O Brasil não pode normalizar o roubo de quem trabalhou a vida inteira. E nós não vamos permitir que isso aconteça.
Coronel Fernanda é deputada federal por Mato Grosso
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