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O banco da praça

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O que ouve um banco de praça ao longo do dia? Ele recebe, paciente, o peso dos casais, dos aposentados, dos solitários, das crianças.

Moro desde sempre, perto de praças.

Aprendi a observar o silêncio de seus bancos, que guardam segredos como cofres ao ar livre.

De manhã, eles acolhem namorados que falam baixo, como se temessem acordar o mundo. Aposentados repousam os olhos no passado e enxergam, no vento, lembranças que só eles conhecem.

O solitário se refugia ali com seu jornal, enquanto as crianças, fazem da praça um território de risos.

À sombra generosa de uma árvore, um motorista de taxi, estica as pernas. E assim se forma, todos os dias, uma plateia invisível para o espetáculo da vida.

Sempre há, nos cantos da praça, um parquinho que gira o tempo para trás.

A primeira que conheci assim foi em 1939, no Lido, em Copacabana.

Eu, meus pais e meus irmãos Yara e Pedro.

O escorregador brilhava ao sol, os balanços cortavam o ar com gritos felizes.

Até hoje, se fecho os olhos, sinto a maresia chegando do Posto 2.

Hoje, é a Praça Popular que me acompanha. Meio século de existência, meio século de histórias. De dia, as crianças gritam; os casais prometem amores eternos; os aposentados revivem o que foi; o solitário interroga a própria vida.

Sem bancos, a praça não seria praça. Seria apenas um largo, como tantos outros que conheci — Alencastro, República, Mandioca.

Os pombos também têm vez: pousam confiantes, bicando grãos de milhos que mãos anônimas espalham.

Praças são fábricas de inspiração. Já fizeram nascer músicas, poemas e até programas de televisão — como A Praça é Nossa, onde um único banco é cenário para todas as histórias. Quem nunca se sentou num banco de praça, inventando mil razões para ali ficar mais um pouco?

Gabriel Novis Neves é médico, ex-reitor da UFMT e ex-secretário de Estado



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CPMI do INSS: 2025 revelou o escândalo, 2026 entregará justiça

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O ano de 2025 ficará marcado como um divisor de águas na história recente da Previdência Social brasileira. Foi nesse contexto que a CPMI do INSS, da qual sou autora, trouxe à tona um dos maiores esquemas de fraudes já registrados contra aposentados e pensionistas do país.

Falamos de desvios bilionários, de descontos indevidos, de associações fantasmas e de um sistema que, por anos, operou à sombra da fragilidade institucional e da ausência de fiscalização efetiva.

A CPMI cumpriu seu papel. Investigou, reuniu provas, ouviu vítimas, convocou responsáveis e expôs uma engrenagem criminosa que se aproveitou justamente de quem mais precisa da proteção do Estado: idosos, pessoas com deficiência e trabalhadores que contribuíram durante toda a vida.

Não se tratou de narrativa política, mas de fatos documentados, contratos simulados, autorizações fraudadas e conivência administrativa. Mas é preciso dizer com clareza: investigar é apenas o primeiro passo.

Entramos em 2026 com um desafio ainda maior. O desafio de transformar as conclusões da CPMI em responsabilização efetiva, punição exemplar e, sobretudo, mudanças estruturais que impeçam a repetição desses crimes. É aqui que o papel da oposição se torna ainda mais decisivo.

A oposição não pode, e não vai, permitir que o relatório da CPMI vire mais um documento esquecido nas gavetas do poder. Nosso compromisso é cobrar o encaminhamento das investigações aos órgãos competentes, acompanhar cada desdobramento no Ministério Público, nos tribunais e nos órgãos de controle, e pressionar esse desgoverno para que adote medidas concretas de proteção aos beneficiários do INSS.

Fraudes dessa magnitude não acontecem sem falhas graves de gestão, fiscalização e governança. Ignorá-las é compactuar com elas. Por isso, seguiremos exigindo transparência, auditorias permanentes, revisão dos convênios com entidades associativas e mecanismos tecnológicos que garantam consentimento real e informado dos beneficiários.

Mais do que um debate político, estamos falando de justiça social. Cada real desviado do INSS representa menos dignidade para quem depende da aposentadoria para comprar remédios, pagar contas básicas ou simplesmente sobreviver. Não há ideologia que justifique o silêncio diante disso.

Se 2025 foi o ano em que o Brasil conheceu a dimensão do problema, 2026 precisa ser o ano da resposta. A oposição estará vigilante, atuante e firme, porque proteger o dinheiro dos aposentados não é favor, é obrigação constitucional.

O Brasil não pode normalizar o roubo de quem trabalhou a vida inteira. E nós não vamos permitir que isso aconteça.

Coronel Fernanda é deputada federal por Mato Grosso



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