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O apito do trem

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Gostaria de escrever um artigo sobre o apito do trem, anunciando a sua chegada a Cuiabá.

Aos noventa anos, deixo esse desejo para a minha próxima reencarnação.

O sonho da ferrovia parece cada vez mais distante.

Falta vontade política dos nossos governantes.

Desde menino ouço promessas sobre a extensão da linha férrea do sul do Estado até a velha capital.

Enquanto isso o país avançou em muitas direções.

O nosso Estado foi dividido, o mar da Guanabara ganhou uma ponte ligando Rio de Janeiro e Niterói e Brasília ergueu-se no coração do Brasil para ser a nova capital.

As cidades construíram modernas arenas para shows e futebol, com jogadores estrangeiros e técnicos europeus e argentinos.

O Brasil tornou-se recordista em escolas de Medicina, formando médicos aos milhares.

Entretanto, ainda há 1.915 municípios sem serviços médicos privados, onde 15,7 milhões de brasileiros dependem exclusivamente do SUS e de suas unidades básicas de saúde.

Houve um tempo em que se dizia que o melhor médico de Cuiabá era o aeroporto.

Hoje a realidade é outra: temos três universidades e faculdades de Medicina, que formam especialistas nas mais diversas áreas.

Eles atendem em consultórios, clínicas, hospitais universitários e particulares, além dos Prontos-Atendimentos, Prontos-Socorros, PSFs e UPAs.

Mesmo assim, 35% dos brasileiros não concluíram o ensino fundamental — uma das razões que talvez expliquem porque o trem ainda não chegou.

O trem de Cuiabá já foi até enredo de escola de samba no Rio de Janeiro, patrocinado pela Prefeitura.

Desculpas para o atraso existem muitas.

Mas a verdade é que a capital do agronegócio não possui ferrovia, embora os trilhos passem pelas portas das fazendas, levando alimentos ao mundo e impostos ao Brasil.

O apito do trem, que nunca soou em Cuiabá, continua ecoando apenas na imaginação — como símbolo de um progresso que sempre promete chegar, mas nunca desembarca.

Gabriel Novis Neves é médico, ex-reitor da UFMT e ex-secretário de Estado



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A Virada Estratégica da Gestão de Resíduos no Brasil

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Em 2025, o Brasil atingiu um ponto de inflexão na gestão ambiental urbana e industrial. Em congressos e seminários realizados em grandes centros, a engenharia sanitária deixou de ser tema técnico restrito e passou ao centro do debate sobre desenvolvimento, segurança jurídica e qualidade de vida.

O que marcou esses encontros foi o senso de urgência. Tornou-se consenso que o modelo tradicional de gestão de resíduos, efluentes e áreas contaminadas está esgotado. Adiar decisões amplia custos, riscos e conflitos.

O debate sobre resíduos evoluiu do simples descarte para a valorização, o reaproveitamento e a responsabilidade compartilhada. O que antes era passivo ambiental passou a ser visto como ativo econômico. Reciclagem, recuperação energética e logística reversa ganharam espaço em projetos concretos, especialmente por meio de soluções regionalizadas, consórcios intermunicipais e parcerias com o setor privado.

No meio empresarial, a pauta ambiental passou a integrar a estratégia de negócios e os critérios ESG, deixando de ser apenas cumprimento legal para se tornar fator de redução de riscos e vantagem competitiva.

O gerenciamento de áreas contaminadas também ganhou destaque. Solos e águas subterrâneas impactados limitam a expansão urbana e geram insegurança jurídica. Postergar soluções significa transferir custos ao futuro e afastar investimentos.

Apesar dos avanços, muitos municípios ainda carecem de planejamento estruturado, e a fragmentação das políticas públicas segue como obstáculo. O país precisa integrar engenharia, planejamento urbano e Direito Ambiental, com regras claras e previsibilidade.

Para 2026, a expectativa é de consolidação desse movimento. A engenharia sanitária tende a assumir papel ainda mais estratégico, impulsionada por marcos regulatórios mais exigentes e pela busca por sustentabilidade e segurança jurídica.

O caminho é irreversível: gestão ambiental eficiente deixou de ser obrigação acessória e tornou-se condição para o desenvolvimento das cidades brasileiras.

Alberto Vieto Machado Scaloppe é advogado e presidente da Comissão de Direito Minerário e Base Mineral da OAB/MT



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