Opinião
Gordura no fígado e Saúde Cardiovascular
Opinião
A Doença Hepática Esteatótica Associada à Disfunção Metabólica (MASLD) é uma condição em que o fígado acumula gordura de forma anormal, frequentemente associada à obesidade, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica.
Embora o nome seja complexo, o conceito é simples: o acúmulo de gordura no fígado não é apenas um problema isolado, ele está intimamente ligado ao risco de doenças cardiovasculares, que são a principal causa de morte no mundo.
O que muitos não sabem é que a saúde do fígado reflete diretamente a saúde do coração. Por isso, uma abordagem integrada – que envolva rastreamento, prevenção e tratamento personalizado – é essencial.
1. Quem deve se preocupar com MASLD:
Existem grupos de pessoas nos quais o risco de MASLD e suas complicações cardíacas é maior:
• Pessoas com diabetes tipo 2
• Pessoas com obesidade
• Pessoas com síndrome metabólica (quando há combinação de pressão alta, glicose elevada, gordura abdominal e dislipidemia)
Se você se reconhece em algum desses grupos, sabia que sua avaliação de risco pode e deve ser proativa e individualizada? Na Luminae, nós incentivamos essa abordagem preventiva: quanto mais cedo detectarmos sinais, melhor o resultado.
2. Como detectar o risco de MASLD de forma prática:
Um método simples e eficaz que médicos utilizam é o índice FIB-4, um cálculo baseado em exames comuns de sangue e idade. Ele classifica o risco de fibrose hepática avançada – que é o estágio em que o fígado já começa a apresentar cicatrização e risco maior de complicações.
• Resultado < 1,3 → baixo risco de fibrose avançada
• Resultado ≥ 1,3 → risco intermediário ou alto
Para quem está no grupo de risco e obtém um valor FIB-4 elevado, o passo seguinte não é adiar ou ignorar, mas sim avançar para testes não invasivos adicionais (como elastografia) e, se necessário, encaminhamento para avaliação especializada.
Essa é a forma pela qual a medicina moderna atua: prevenção, não surpresa.
3. A base do tratamento: perda de peso com propósito:
A ciência é clara: a perda de peso significativa está associada à melhora da fibrose hepática e redução do risco de doenças cardiovasculares. A meta recomendada pelos especialistas para trazer benefícios reais é:perder 10% do peso corporal total .
Isso melhora não só o fígado, mas todo o metabolismo e o risco cardíaco. E aqui está um ponto que muitas pessoas confundem:não se trata de “emagrecer rápido” ou “emagrecer por estética”.Trata-se de melhorar a função orgânica e reduzir os riscos reais de complicações graves.
4. Tratamentos comprovados que fazem diferença:
Além das mudanças no estilo de vida, existem medicamentos que demonstraram benefícios reais, tanto para o fígado quanto para o sistema cardiovascular:
Agonistas do receptor GLP-1. : São medicamentos que ajudam a reduzir peso, melhorar controle glicêmico e têm impacto positivo no fígado e no coração.
Inibidores de SGLT2 : Especialmente em pacientes com diabetes, esses medicamentos reduzem hospitalizações por causas cardíacas e podem ter efeito protetor metabólico.
Essas opções não são “modinha”. São estratégias que estão respaldadas por estudos clínicos robustos e já fazem parte das diretrizes médicas modernas.
5. Uma abordagem que muda risco em vez de apenas monitorar números:
Considerar a MASLD como um problema isolado é um erro comum. A verdade é que ela potencializa riscos cardiovasculares, especialmente quando combinada com hipertensão, dislipidemia e resistência à insulina.
A abordagem médica mais eficaz hoje é:
• Gerir a pressão arterial de forma agressiva quando necessário
• Gerir os níveis de gordura no sangue de forma eficaz
• Controlar a glicose metabólica com atenção
• Reduzir gordura corporal com foco em melhora de função
Cada um desses passos não é um “tratamento estético”: é uma estratégia de saúde integrada, projetada para prolongar vida e qualidade de vida.
6. O que isso significa para você:
Se você está lendo esse texto agora, provavelmente já se preocupa com sua saúde. Mas saber não é o bastante. Na prática, a diferença real acontece quando você transforma essa informação em ação guiada por profissionais experientes, que avaliem:
• seus exames,
• seus riscos individuais,
• suas metas reais de saúde.
:
Quer saber seu risco e plano ideal?:
Tomar uma decisão informada hoje pode não parecer urgente… até que ela seja.Marque sua avaliação e consulta conosco.Vamos transformar seu risco em um plano inteligente de saúde preventiva e sustentável.
Dr. Max Wagner de Lima é Cardiologista – CRM 6194/RQE 2308?. Fundador da Luminae – Excelência em SaúdeCriador do Protocolo ROTINA
Opinião
Proteger a vida das mulheres é uma responsabilidade do Estado
O Dia Internacional da Mulher não pode ser apenas uma data de homenagens. Ele precisa ser, antes de tudo, um momento de reflexão sobre a realidade que milhares de brasileiras ainda enfrentam todos os dias. Infelizmente, os números mais recentes mostram que a violência contra a mulher continua sendo uma das mais graves feridas sociais do país.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que o Brasil registrou 1.568 vítimas de feminicídio em 2025. O aumento foi de 4,7% em relação ao ano anterior. O dado mais alarmante revela que oito em cada dez assassinatos são cometidos por parceiros ou ex-companheiros. Em muitos casos, o lugar mais perigoso para uma mulher ainda é dentro da própria casa.
A maioria dos crimes ocorre na residência da vítima e quase metade é cometida com objetos comuns, como facas. Isso mostra que o feminicídio não é um ato isolado. Ele é, na maioria das vezes, o resultado final de um ciclo prolongado de violência, ameaças e agressões.
Como procuradora da Mulher na Câmara dos Deputados, tenho buscado transformar essa preocupação em ações concretas. Ao longo do último ano, representei o Brasil em encontros internacionais do BRICS para levar ao debate global a realidade enfrentada pelas mulheres brasileiras. Também percorremos diferentes estados por meio da Procuradoria Itinerante, apoiando vereadoras na criação de Procuradorias da Mulher em seus municípios.
Somente em Mato Grosso e sob minha gestão, a Procuradoria auxiliou na implantação de mais de 50 Procuradorias da Mulher, ampliando a rede institucional de acolhimento e encaminhamento de denúncias. Esse trabalho é essencial porque a presença dessas estruturas nos municípios facilita o acesso das vítimas à orientação jurídica, ao acolhimento e ao encaminhamento das denúncias.
Também tenho buscado fortalecer parcerias com instituições como o Tribunal Superior Eleitoral, a Ordem dos Advogados do Brasil, o Ministério Público Federal e a Defensoria Pública da União, com o objetivo de ampliar a proteção institucional às mulheres e combater diferentes formas de violência, incluindo a violência política.
No Supremo Tribunal Federal cobrei que o governo federal apresente planos concretos e eficazes de enfrentamento à violência contra a mulher. Não basta reconhecer o problema. É preciso agir com seriedade, planejamento e compromisso.
Campanhas de conscientização como Agosto Lilás, Outubro Rosa e Banco Vermelho também têm papel importante ao chamar a atenção da sociedade para o problema. No entanto, campanhas precisam caminhar ao lado de políticas públicas consistentes, estrutura de atendimento e aplicação rigorosa da lei.
Enfrentar a violência significa punir o agressor. Prevenir significa acolher e proteger a vítima. Esse é o caminho para salvar vidas. Neste Mês da Mulher, mais do que celebrar conquistas, precisamos reafirmar um compromisso coletivo. Nenhuma mulher deve viver com medo dentro da própria casa. Proteger a vida das mulheres é uma responsabilidade de todos, mas sobretudo do Estado. E essa responsabilidade não pode esperar.
Coronel Fernanda é deputada federal e Procuradora da Mulher na Câmara dos Deputados
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