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Estamos nos desumanizando?

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Tenho sido questionada com frequência sobre os recentes episódios de violência que vêm ganhando destaque no país. Tentativas de homicídio, crimes cometidos com extrema frieza, indiferença diante do sofrimento alheio. A pergunta que sempre me fazem é: o que está acontecendo com o ser humano?.

A minha primeira reflexão… será que isso é novo?. Na verdade, se viajarmos pela história, seja nos registros religiosos, históricos ou sociais, veremos que a violência sempre existiu. Assassinatos por poder, vingança, ambição ou orgulho fazem parte da trajetória humana há séculos. Mas há algo que me preocupa profundamente, que é a sensação de que estamos vivendo um processo de desumanização.

Quando digo desumanização, refiro-me à perda da capacidade de enxergar o outro como semelhante. Passamos a tratar pessoas como objetos, e o objeto pode ser descartado, substituído, eliminado. Quando se perde o valor da vida, perde-se a base da convivência humana.

Outra questão importante é entender que atos extremos não nascem no momento em que acontecem, eles são construídos. Antes da ação, houve pensamento, antes do gesto violento, houve sentimento alimentado, muitas vezes por frustração, ressentimento ou falta de limites internos.

Nada acontece de forma totalmente impulsiva. O cérebro automatiza aquilo que já foi repetidamente pensado. A violência começa muito antes da agressão física, ela começa na maneira como lidamos com nossas emoções e com o outro.

Também observo uma preocupante normalização do absurdo. Casos graves passam a ser tratados como “mais um fato”. Parece haver uma anestesia coletiva, não sei se pelo excesso de informação, acesso às notícias ou aproximação por conta das redes sociais. Quando deixamos de nos indignar, algo em nós também adoece.

E onde entram os valores nisso tudo?. Eles são a base. A infância é o período em que o caráter começa a ser moldado. Crianças se espelham no ambiente em que vivem. Se aprendem respeito, empatia e responsabilidade, essas referências tendem a acompanhá-las pela vida. Se aprendem indiferença, agressividade ou desvalorização do outro, isso também deixa marcas.

Eu acredito que todos nós carregamos dentro de nós potenciais distintos, para o cuidado ou para a destruição. O que ganha força é aquilo que alimentamos diariamente. Pensamentos, escolhas e atitudes constroem nossa conduta. Na verdade, não acredito que esteja tudo perdido, mas acredito que precisamos assumir responsabilidade coletiva.

Precisamos retomar o valor da vida, fortalecer vínculos familiares, investir em educação emocional e, principalmente, vigiar nossas próprias atitudes, porque cada vez que deixamos de enxergar o outro como ser humano, damos um passo em direção à desumanização. E essa é uma escolha que, individualmente e como sociedade, não podemos continuar fazendo.

Qual a escolha que norteia a sua vida?. Pense nisso, porque a resposta define o futuro de uma família, de um país e da comunidade.

Sonia Mazetto – Gestora de Potencial Humano, Terapeuta Integrativa, Fonoaudióloga e Palestrante



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Chuvas em MT: quando a crise do crédito encontra o pior momento da safra

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O agronegócio de Mato Grosso vive um momento de apreensão que vai muito além de uma preocupação pontual com o clima. Nas últimas semanas, as chuvas intensas e praticamente ininterruptas têm travado a reta final da colheita em diversas regiões do Estado. Máquinas paradas, dificuldade de acesso às lavouras, atraso na retirada da soja e perda de qualidade do grão já fazem parte da rotina de muitos produtores.

O problema, porém, não está apenas na chuva. O clima funciona como um acelerador de uma crise que já vinha se formando. Quando a colheita atrasa, o impacto se espalha rapidamente: aumento de custos operacionais, quebra de fluxo de caixa, atraso no plantio do milho safrinha e dificuldade no cumprimento de contratos. O prejuízo deixa de ser apenas agrícola e passa a ser financeiro, comercial e estrutural.

Esse cenário se agrava porque o crédito, que sempre foi o combustível do agro, se tornou caro e seletivo. Linhas que antes eram acessíveis passaram a exigir mais garantias, com prazos menores e juros mais altos. Muitos produtores foram surpreendidos por negativas de financiamento justamente no momento em que mais precisavam de capital para manter a operação.

A realidade do campo é dura: a colheita pode atrasar, mas a dívida não. Enquanto as máquinas esperam o solo secar, os vencimentos continuam chegando — banco, fornecedor, revenda, arrendamento. O resultado é um ciclo perigoso de prorrogações emergenciais, renegociações sem fôlego e, em muitos casos, execuções de garantias que comprometem o patrimônio construído ao longo de décadas.

Trata-se de atividade sujeita a risco climático, dependente de crédito de custeio e frequentemente estruturada com garantias reais sobre safra futura, maquinário e imóvel rural.

Quando há travamento da colheita, não se compromete apenas o faturamento imediato, mas toda a cadeia de obrigações lastreadas naquela produção. A chuva, portanto, não cria a crise, mas pode acelerar o colapso. Se o produtor já vinha pressionado por custos elevados, margens apertadas e crédito restrito, bastam algumas semanas de colheita travada para que o caixa desorganize por completo.

É nesse contexto que a recuperação judicial precisa ser compreendida sem preconceitos. Ela não é um atestado de fracasso, mas um instrumento legítimo de reorganização. Quando bem estruturada, permite ao produtor reequilibrar dívidas, negociar prazos, proteger a operação e preservar empregos, fornecedores e a própria atividade produtiva.

Execuções desordenadas destroem valor. A recuperação estruturada, ao contrário, preserva patrimônio e viabiliza a continuidade do negócio. O momento exige atenção e decisões rápidas.

O agro mato-grossense continua forte, mas enfrenta uma combinação perigosa: crédito restrito, custos elevados e agora a colheita travada pela chuva. Esse conjunto pode elevar os índices de insolvência rural no Estado. A diferença entre atravessar a crise ou sucumbir a ela não está apenas na produtividade, mas na estrutura financeira e jurídica do produtor.

Em tempos como estes, planejamento e reorganização deixam de ser opção e passam a ser necessidade. A recuperação judicial, nesse cenário, pode ser a ponte entre a dificuldade momentânea e a continuidade do negócio.

Clara Berto Neves Caporossi é advogada sócia do escritório Mestre Medeiros Advogados Associados. Especialista em Direito Processual Civil, com atuação em Direito Empresarial e recuperação de empresas. Graduada em Direito em 2018, iniciou a carreira no Tribunal de Justiça de Mato Grosso e consolidou sua trajetória na advocacia privada, com foco em recuperação judicial



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