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Chuvas em MT: quando a crise do crédito encontra o pior momento da safra

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O agronegócio de Mato Grosso vive um momento de apreensão que vai muito além de uma preocupação pontual com o clima. Nas últimas semanas, as chuvas intensas e praticamente ininterruptas têm travado a reta final da colheita em diversas regiões do Estado. Máquinas paradas, dificuldade de acesso às lavouras, atraso na retirada da soja e perda de qualidade do grão já fazem parte da rotina de muitos produtores.

O problema, porém, não está apenas na chuva. O clima funciona como um acelerador de uma crise que já vinha se formando. Quando a colheita atrasa, o impacto se espalha rapidamente: aumento de custos operacionais, quebra de fluxo de caixa, atraso no plantio do milho safrinha e dificuldade no cumprimento de contratos. O prejuízo deixa de ser apenas agrícola e passa a ser financeiro, comercial e estrutural.

Esse cenário se agrava porque o crédito, que sempre foi o combustível do agro, se tornou caro e seletivo. Linhas que antes eram acessíveis passaram a exigir mais garantias, com prazos menores e juros mais altos. Muitos produtores foram surpreendidos por negativas de financiamento justamente no momento em que mais precisavam de capital para manter a operação.

A realidade do campo é dura: a colheita pode atrasar, mas a dívida não. Enquanto as máquinas esperam o solo secar, os vencimentos continuam chegando — banco, fornecedor, revenda, arrendamento. O resultado é um ciclo perigoso de prorrogações emergenciais, renegociações sem fôlego e, em muitos casos, execuções de garantias que comprometem o patrimônio construído ao longo de décadas.

Trata-se de atividade sujeita a risco climático, dependente de crédito de custeio e frequentemente estruturada com garantias reais sobre safra futura, maquinário e imóvel rural.

Quando há travamento da colheita, não se compromete apenas o faturamento imediato, mas toda a cadeia de obrigações lastreadas naquela produção. A chuva, portanto, não cria a crise, mas pode acelerar o colapso. Se o produtor já vinha pressionado por custos elevados, margens apertadas e crédito restrito, bastam algumas semanas de colheita travada para que o caixa desorganize por completo.

É nesse contexto que a recuperação judicial precisa ser compreendida sem preconceitos. Ela não é um atestado de fracasso, mas um instrumento legítimo de reorganização. Quando bem estruturada, permite ao produtor reequilibrar dívidas, negociar prazos, proteger a operação e preservar empregos, fornecedores e a própria atividade produtiva.

Execuções desordenadas destroem valor. A recuperação estruturada, ao contrário, preserva patrimônio e viabiliza a continuidade do negócio. O momento exige atenção e decisões rápidas.

O agro mato-grossense continua forte, mas enfrenta uma combinação perigosa: crédito restrito, custos elevados e agora a colheita travada pela chuva. Esse conjunto pode elevar os índices de insolvência rural no Estado. A diferença entre atravessar a crise ou sucumbir a ela não está apenas na produtividade, mas na estrutura financeira e jurídica do produtor.

Em tempos como estes, planejamento e reorganização deixam de ser opção e passam a ser necessidade. A recuperação judicial, nesse cenário, pode ser a ponte entre a dificuldade momentânea e a continuidade do negócio.

Clara Berto Neves Caporossi é advogada sócia do escritório Mestre Medeiros Advogados Associados. Especialista em Direito Processual Civil, com atuação em Direito Empresarial e recuperação de empresas. Graduada em Direito em 2018, iniciou a carreira no Tribunal de Justiça de Mato Grosso e consolidou sua trajetória na advocacia privada, com foco em recuperação judicial



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Choque de realidade

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A vida nos oferece milhares de opções. Quando passamos por sofrimentos constantes, muitas vezes é sinal de que estamos escolhendo caminhos equivocados ou tomando decisões mal refletidas.

Somos parte de um todo e, por isso, somos facilmente contagiados pelos vícios sociais. Vivemos, infelizmente, uma verdadeira “era da depressão”. Muitas pessoas optam pela solidão, mergulham em estados de vazio e, com a desvalorização pessoal somada a sucessivos insucessos, acabam alimentando frustrações profundas.

Na tentativa de compensar essas frustrações, recorrem a recursos materiais e a alegrias artificiais — sejam drogas lícitas ou ilícitas — que proporcionam apenas satisfações momentâneas. Contudo, quando vem o choque de realidade, a sensação de insatisfação retorna ainda mais intensa.

É preciso compreender que assumir constantemente o papel de “coitadinho” leva à crença de que tudo está errado. Surge então a insatisfação com o mundo e a tendência de socializar o próprio insucesso, responsabilizando outras pessoas ou circunstâncias. Projeta-se a culpa nos mais próximos ou em situações recentes, criando a falsa ideia de que tudo precisa ser mudado.

Muda-se de casa, de amizades, de relacionamento — transformando o parceiro em ex-amor e os amigos em ex-amigos. Alguns chegam a mudar de profissão ou atividade. No entanto, mudanças não planejadas podem levar a uma vida de risco, confundindo desespero com coragem, como se “saltar no escuro” fosse um ato heroico.

Quando nos distanciamos de nós mesmos, a vida torna-se instável e desconfortável. Mas, ao assumir a realidade com inteligência e coragem, e ao dar o primeiro passo rumo a objetivos possíveis, os sentimentos de insegurança começam a desaparecer.

Sem objetivos definidos, a mente passa a ser habitada por perguntas carregadas de descrença e medo. A vida então passa a ser conduzida por lamentos e questionamentos paralisantes, como:

“Como vou justificar o que fiz?” — mas você ainda não fez.

“Se eu errar, o que vão pensar de mim?” — mas você ainda não errou.

“O que estão falando de mim pelo que fiz?” — mas você ainda não decidiu; portanto, ninguém está falando.

Tomar decisões progressivamente mais complexas pode levar tanto ao sucesso quanto ao insucesso. Ambos, porém, farão parte da sua história e do seu futuro. O importante é decidir e dar o primeiro passo em direção àquilo que você acredita ser certo.

Modificar o que está errado e seguir novos caminhos são atitudes que desenvolvem maturidade moral e intelectual. É assim que o indivíduo cresce: assumindo integralmente a responsabilidade pelos próprios atos.

Não viva de aparências — elas podem comprometer suas decisões. Combata também o complexo de culpa. Ambos são desvios emocionais que trazem sérias consequências ao crescimento pessoal.

Wilson Carlos Fuah é escritor, cronista e graduado em Ciências Econômica



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