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Charlie Kirk: lições sobre limites e consequências

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Opinião


Como já afirmei algumas vezes, a reputação é, talvez, o patrimônio mais valioso de qualquer pessoa, figura pública, instituição ou empresa. Ela não se constrói da noite para o dia, mas pode ser colocada em risco em segundos diante de um comentário impensado ou de uma postura considerada ofensiva.

O assassinato de Charlie Kirk, nos Estados Unidos, ilustra bem esse cenário: mais do que a tragédia em si, a forma como artistas e influenciadores e pessoas comuns reagiram ao episódio trouxe consequências severas para suas carreiras, mostrando como a reputação é um ativo frágil, mas determinante para a sobrevivência profissional.

Algumas pessoas chegaram a comemorar publicamente a morte do ativista. Essa postura, além de chocar parte da sociedade, provocou uma reação imediata do mercado e das instituições. No Brasil, o historiador Eduardo “Peninha” Bueno teve participações suspensas em eventos e precisou se retratar após publicar um vídeo celebrando o crime.

Mesmo assim, todos os dias um novo revés na carreira, como o encerramento de seu podcast. Já nos Estados Unidos, a roteirista Gretchen Felker-Martin perdeu um contrato com a DC Comics e viu a HQ do personagem Capuz Vermelho, que seria sua estreia na editora, ser cancelada após manifestações de deboche em relação à morte de Kirk.

Esses casos demonstram como a reputação funciona como uma espécie de “moeda de confiança”. Parceiros, patrocinadores e instituições não querem ser associados a discursos que desumanizam ou transgridem valores sociais básicos. A perda de contratos e a exclusão de projetos não foram resultado de censura, mas de uma reação natural do mercado, que protege sua própria imagem diante da opinião pública. Quando a reputação de alguém se torna tóxica, a tendência é que todos ao redor busquem se afastar para preservar seus interesses.

Nesse sentido, cuidar da reputação significa entender que ela não é um bem abstrato, mas um ativo estratégico com valor concreto. Uma boa reputação abre portas, gera convites, atrai negócios e fortalece a presença pública. Uma reputação arranhada, por outro lado, pode gerar boicotes, cancelamentos, prejuízos financeiros e anos de esforço para reconstrução.

Cada vez mais a certeza de que, sobretudo no ambiente digital, as fronteiras entre opinião pessoal e posicionamento público praticamente deixaram de existir.

O impacto não se limita ao indivíduo. Empresas que patrocinam, empregam ou apoiam figuras públicas passam a ser vistas como corresponsáveis pelos discursos dessas pessoas. O público não distingue com clareza a fala individual do vínculo institucional.

Assim, marcas podem perder clientes, enfrentar campanhas de boicote e até ver sua reputação construída em décadas ser colocada em xeque simplesmente por não reagirem de forma rápida diante de posturas polêmicas de seus associados.

Essa dinâmica reforça a necessidade de políticas claras de compliance reputacional. Ter critérios para escolha de porta-vozes, acompanhar manifestações de parceiros e colaboradores e definir protocolos de resposta rápida são medidas fundamentais para proteger não apenas a imagem, mas também o valor econômico de uma organização.

No mercado atual, a reputação é parte do balanço: é intangível, mas gera impacto direto no caixa. Por isso, cuidar dela exige vigilância constante e estratégias que alinhem discurso, valores e responsabilidade social.

O episódio em torno da morte de Charlie Kirk reforça traz um aprendizado: a necessidade de refletir antes de se manifestar. Não se trata de silenciar ou de renunciar à liberdade de expressão, mas de compreender que palavras têm consequências e que, no mercado da reputação, cada manifestação é um investimento ou uma dívida. Comemorar a morte de alguém pode parecer, no calor da emoção, uma forma de protesto, mas o custo reputacional tende a ser altíssimo e duradouro.

No fim, a principal lição é que a reputação não se limita ao que é dito sobre nós, mas ao que decidimos construir dia após dia, em cada gesto e cada palavra. Quem enxerga sua imagem como um ativo essencial sabe que ela precisa ser protegida com o mesmo zelo dedicado a qualquer outro patrimônio estratégico.

Fábio Monteiro da Silva é jornalista especialista em crise de imagem e CEO da Dialum Assessoria de Imprensa & Comunicação Estratégica



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CPMI do INSS: 2025 revelou o escândalo, 2026 entregará justiça

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O ano de 2025 ficará marcado como um divisor de águas na história recente da Previdência Social brasileira. Foi nesse contexto que a CPMI do INSS, da qual sou autora, trouxe à tona um dos maiores esquemas de fraudes já registrados contra aposentados e pensionistas do país.

Falamos de desvios bilionários, de descontos indevidos, de associações fantasmas e de um sistema que, por anos, operou à sombra da fragilidade institucional e da ausência de fiscalização efetiva.

A CPMI cumpriu seu papel. Investigou, reuniu provas, ouviu vítimas, convocou responsáveis e expôs uma engrenagem criminosa que se aproveitou justamente de quem mais precisa da proteção do Estado: idosos, pessoas com deficiência e trabalhadores que contribuíram durante toda a vida.

Não se tratou de narrativa política, mas de fatos documentados, contratos simulados, autorizações fraudadas e conivência administrativa. Mas é preciso dizer com clareza: investigar é apenas o primeiro passo.

Entramos em 2026 com um desafio ainda maior. O desafio de transformar as conclusões da CPMI em responsabilização efetiva, punição exemplar e, sobretudo, mudanças estruturais que impeçam a repetição desses crimes. É aqui que o papel da oposição se torna ainda mais decisivo.

A oposição não pode, e não vai, permitir que o relatório da CPMI vire mais um documento esquecido nas gavetas do poder. Nosso compromisso é cobrar o encaminhamento das investigações aos órgãos competentes, acompanhar cada desdobramento no Ministério Público, nos tribunais e nos órgãos de controle, e pressionar esse desgoverno para que adote medidas concretas de proteção aos beneficiários do INSS.

Fraudes dessa magnitude não acontecem sem falhas graves de gestão, fiscalização e governança. Ignorá-las é compactuar com elas. Por isso, seguiremos exigindo transparência, auditorias permanentes, revisão dos convênios com entidades associativas e mecanismos tecnológicos que garantam consentimento real e informado dos beneficiários.

Mais do que um debate político, estamos falando de justiça social. Cada real desviado do INSS representa menos dignidade para quem depende da aposentadoria para comprar remédios, pagar contas básicas ou simplesmente sobreviver. Não há ideologia que justifique o silêncio diante disso.

Se 2025 foi o ano em que o Brasil conheceu a dimensão do problema, 2026 precisa ser o ano da resposta. A oposição estará vigilante, atuante e firme, porque proteger o dinheiro dos aposentados não é favor, é obrigação constitucional.

O Brasil não pode normalizar o roubo de quem trabalhou a vida inteira. E nós não vamos permitir que isso aconteça.

Coronel Fernanda é deputada federal por Mato Grosso



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