Opinião
Café da tarde com bolacha Maria
Opinião
Reencontro com os sabores simples da infância. A crônica evoca o ritual do café coado no coador de pano, o tilintar das xícaras e o prazer de molhar a bolacha Maria no café fumegante — lembrança viva das tardes preguiçosas na casa materna.
Muitos me cobram para escrever um livro de memórias.
Não vejo necessidade.
Cada crônica que escrevo é, em si, uma lembrança de um período da minha vida.
E, aos noventa anos — lúcido e grato — as lembranças não têm fim.
Recordei-me dos lanches nas tardes calorentas e ouvi, como num eco suave, a voz da minha mãe chamando para o café: ‘ Venham, o lanche está pronto!. ‘
Era o café com bolacha Maria que meu pai trazia do bar — e nunca faltava em nossa casa.
Até hoje me vejo molhando a bolacha no café fumegante, na xícara sobre a mesa da copa, rodeado pela criançada.
O lanche da tarde era uma pequena reunião familiar, um intervalo doce entre os estudos e as brincadeiras.
Como não se lembrar, com o avançar dos anos, desses pequenos pedacinhos de céu que adoçaram a vida toda?.
Guardo recordações desde que me entendo por gente — da infância e da intensa vida adulta que vivi.
A memória é como um oceano: o rio do passado corre sempre para o mar.
Neste momento em que se comemoram os cinquenta e cinco anos da Universidade Federal de Mato Grosso, sinto-me estimulado a revisitar os fatos marcantes dessa instituição de pesquisa, ensino e extensão.
Imaginem quantas recordações cabem em quem, entre 1968-1982, teve a responsabilidade de conduzir sua implantação, ao lado dos professores fundadores.
Dos três pioneiros, dois não estão mais entre nós, e com eles parte preciosa da nossa memória histórica se perdeu.
Lembro-me, com carinho, do gabinete da primeira reitoria e das reuniões do Conselho Diretor, sempre à noite, quando era servido um whisky com salgadinhos comprados na lanchonete do prédio do Centro de Ciências Sociais e Letras.
E, em meio a tantas lembranças, sempre havia — e há — sabor simples e eterno das bolachas Maria.
Gabriel Novis Neves é médico, ex-reitor da UFMT e ex-secretário de Estado
Opinião
Proteger a vida das mulheres é uma responsabilidade do Estado
O Dia Internacional da Mulher não pode ser apenas uma data de homenagens. Ele precisa ser, antes de tudo, um momento de reflexão sobre a realidade que milhares de brasileiras ainda enfrentam todos os dias. Infelizmente, os números mais recentes mostram que a violência contra a mulher continua sendo uma das mais graves feridas sociais do país.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que o Brasil registrou 1.568 vítimas de feminicídio em 2025. O aumento foi de 4,7% em relação ao ano anterior. O dado mais alarmante revela que oito em cada dez assassinatos são cometidos por parceiros ou ex-companheiros. Em muitos casos, o lugar mais perigoso para uma mulher ainda é dentro da própria casa.
A maioria dos crimes ocorre na residência da vítima e quase metade é cometida com objetos comuns, como facas. Isso mostra que o feminicídio não é um ato isolado. Ele é, na maioria das vezes, o resultado final de um ciclo prolongado de violência, ameaças e agressões.
Como procuradora da Mulher na Câmara dos Deputados, tenho buscado transformar essa preocupação em ações concretas. Ao longo do último ano, representei o Brasil em encontros internacionais do BRICS para levar ao debate global a realidade enfrentada pelas mulheres brasileiras. Também percorremos diferentes estados por meio da Procuradoria Itinerante, apoiando vereadoras na criação de Procuradorias da Mulher em seus municípios.
Somente em Mato Grosso e sob minha gestão, a Procuradoria auxiliou na implantação de mais de 50 Procuradorias da Mulher, ampliando a rede institucional de acolhimento e encaminhamento de denúncias. Esse trabalho é essencial porque a presença dessas estruturas nos municípios facilita o acesso das vítimas à orientação jurídica, ao acolhimento e ao encaminhamento das denúncias.
Também tenho buscado fortalecer parcerias com instituições como o Tribunal Superior Eleitoral, a Ordem dos Advogados do Brasil, o Ministério Público Federal e a Defensoria Pública da União, com o objetivo de ampliar a proteção institucional às mulheres e combater diferentes formas de violência, incluindo a violência política.
No Supremo Tribunal Federal cobrei que o governo federal apresente planos concretos e eficazes de enfrentamento à violência contra a mulher. Não basta reconhecer o problema. É preciso agir com seriedade, planejamento e compromisso.
Campanhas de conscientização como Agosto Lilás, Outubro Rosa e Banco Vermelho também têm papel importante ao chamar a atenção da sociedade para o problema. No entanto, campanhas precisam caminhar ao lado de políticas públicas consistentes, estrutura de atendimento e aplicação rigorosa da lei.
Enfrentar a violência significa punir o agressor. Prevenir significa acolher e proteger a vítima. Esse é o caminho para salvar vidas. Neste Mês da Mulher, mais do que celebrar conquistas, precisamos reafirmar um compromisso coletivo. Nenhuma mulher deve viver com medo dentro da própria casa. Proteger a vida das mulheres é uma responsabilidade de todos, mas sobretudo do Estado. E essa responsabilidade não pode esperar.
Coronel Fernanda é deputada federal e Procuradora da Mulher na Câmara dos Deputados
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