Opinião
A primeira menstruação e saúde ginecológica
Opinião
A primeira menstruação(menarca), irregularidade menstrual, cólicas e outras situações inerentes à fase que precede a vida adulta podem causar muitas dúvidas.
O ideal é que a primeira consulta ginecológica seja no início da puberdade, quando surgem os primeiros sinais como botão mamário e pelos pubianos, geralmente entre 9 e 10 anos. Nessa fase, o objetivo é um primeiro contato com ginecologista que vai orientar sobre as mudanças do corpo e estabelecer a relação médico paciente adolescente.
São abordados temas de acordo com a idade e grau de discernimento da menina como menstruação, higiene íntima, alimentação, sexualidade e contracepção. O exame clínico geral inclui peso, estatura e avaliação do desenvolvimento puberal. O exame ginecológico é apenas externo (vulva, entrada da vagina, abertura do hímen), sem uso de instrumentos.
O aparecimento de mamas ou pelos pubianos antes dos 8 anos, sinais sugestivos de puberdade precoce; corrimento persistente acompanhado de prurido ou odor forte, irritação vulvovaginal ou sangramento genital também são sinais que justificam uma avaliação ginecológica na infância. Casos de suspeita de abuso, malformações genitais ou traumatismo genital devem ser avaliados.
Nós como profissionais da área devemos reforçar para esta menina que a menstruação é um evento positivo, que reflete a normalidade do aparelho reprodutor feminino. Incentivamos que a menina anote os dias dos ciclos menstruais subsequentes para avaliação do intervalo, duração e intensidade da menstruação.
Ela deve ser orientada que, nos primeiros 2 anos pós menarca, os ciclos podem ser irregulares quanto ao intervalo ou duração, e isso acontece por causa da imaturidade do eixo hormonal; ou seja, não necessita de intervenção médica na maioria das vezes. A regularidade do ciclo se resolve espontaneamente para a maioria das meninas a partir de 2 anos pós menarca.
O ciclo menstrual normal apresenta intervalo que varia entre 24 a 38 dias; duração de até 8 dias e fluxo percebido pela paciente pelo número de absorventes necessários sendo referido como normal ou intenso. Qualquer alteração da frequência, duração ou quantidade de fluxo na adolescente que já tem mais de 2 anos da menarca merece atenção. Situações que requerem uma investigação:
– Ausência de menarca e de caracteres sexuais secundários (mamas, pilificação pubiana) aos 14 anos;
– Ausência de menarca aos 15 anos, mas com desenvolvimento puberal normal há mais de 2 anos.
– Menina que não menstrua por mais de 3 meses (sem estar grávida).
– Intervalos menstruais maiores de 45 dias ou menores 21 dias após 2 a 3 anos da menarca.
– Ciclos menstruais irregulares acompanhados de aumento de pilificação (hirsutismo).
A cólica menstrual (dismenorreia) é uma situação frequente na adolescência decorrente da liberação de substâncias inflamatórias. É chamada de dismenorreia primária e pode ser leve, moderada e intensa. Em situações nas quais a cólica não melhora com os medicamentos disponíveis (anti-inflamatório e/ou contraceptivos), é preciso afastar causas secundárias como malformações genitais obstrutivas e endometriose.
Meninas que nunca tiveram relação sexual podem apresentar uma secreção vaginal de aspecto leitoso, sem sintomas de prurido ou ardência, que se constitui na leucorréia fisiológica. Em outras situações, como durante uso de antibióticos, elas também podem desenvolver a candidíase vulvovaginal.
Quando a adolescente é sexualmente ativa e não faz uso de preservativos na relação, ela corre o risco de apresentar corrimentos decorrentes de infecção de transmissão sexual (tricomoníase, clamídia, gonorreia) e vaginose bacteriana.
É muito importante a vacinação nessa faixa etária, além da vacina contra HPV, existe a vacina contra hepatite B, que é uma infecção de transmissão sexual. Além disso, é importante que durante a consulta ginecológica seja abordado sobre o calendário de vacinação da adolescente, uma vez que adolescentes muitas vezes não são levados a serviços de saúde para receber vacinas como é feito em crianças.
Conceitos equivocados sobre padrão corporal podem levar adolescentes a desenvolverem distúrbios alimentares como anorexia – que leva a amenorreia – ou solicitarem cirurgias estéticas como lipoaspiração, mastoplastias sem estarem totalmente desenvolvidas.
Outra situação: relacionamentos sexuais em idade precoce podem trazer como consequências a gravidez não planejada, infecções de transmissão sexual como infecção por clamídia, cuja complicação é a salpingite, que pode causar infertilidade.
Os pais devem incentivar suas filhas adolescentes a terem uma consulta com ginecologista mesmo que não haja queixa, pois é importante que sejam orientadas sob vários aspectos da vida da mulher: menstruação, cuidados de higiene, sexualidade e contracepção.
Para que haja uma boa relação médico-paciente é importante que a privacidade e autonomia destas adolescentes seja respeitada. Os pais devem saber que o sigilo na consulta será mantido conforme o código de ética médica. Nas situações que justifiquem a quebra do sigilo, a adolescente será comunicada previamente sobre essa necessidade.
Dra. Giovana Fortunato é ginecologista e obstetra, especialista em endometriose e infertilidade
Opinião
A força que emprega e arrecada
Hoje afastando um pouco do meu labor, mas como um curioso e neófito historiador, fiquei muito feliz em saber e passar a conhecer um pouco da história do Comércio de Mato Grosso que dista o inicio do Século XVIII, até ao nosso período atual, demonstrando a grandeza do nosso pujante Estado de Mato Grosso, Estado esse que possuí um PIB superior a muitos países.
O desenvolvimento de Mato Grosso é uma engrenagem complexa, principalmente após a “Marcha para o Oeste”-, nos Anos de 1970 em diante, mas que encontrou no Sistema FECOMÉRCIO/MT — por meio da atuação integrada com SESC e SENAC — um de seus motores mais potentes e humanizados.
Ao analisarmos o atual cenário estadual, percebemos que esta instituição não apenas lidera os índices econômicos, mas compreendeu que o verdadeiro sucesso de uma gestão se mede pela capacidade de transformar riqueza em bem-estar social.
A base dessa transformação é sólida e indiscutível. O setor de Comércio de Bens, Serviços e Turismo carrega hoje a responsabilidade e o orgulho de ser o maior empregador do Estado de Mato Grosso, abrindo as portas do mercado de trabalho e garantindo o sustento de milhares de famílias.
Essa força laboral impulsiona uma engrenagem financeira que coloca o sistema também no topo do ranking como o setor que mais arrecada impostos para os cofres públicos. É, portanto, uma liderança dupla e estratégica: o sistema é quem mais gera oportunidades e quem mais contribui financeiramente para a estrutura do Estado.
No entanto, a frieza dos números econômicos se dissipa quando observamos o retorno humano desse investimento. Toda essa potência de arrecadação e empregabilidade se converteu, recentemente, em um marco histórico através do braço social do SESC: a realização de mais de 30 mil atendimentos odontológicos.
Esse número impressionante simboliza muito mais do que estatísticas de saúde; representa trinta mil sorrisos restaurados, dores aliviadas e dignidade devolvida a trabalhadores e cidadãos que encontraram, na estrutura do sistema, um acolhimento de excelência que muitas vezes não está disponível em outras esferas.
Diante disso, é preciso reconhecer e elogiar o ciclo virtuoso estabelecido pela FECOMÉRCIO/MT. O comércio gera o emprego, a atividade econômica gera a arrecadação recorde, e a gestão eficiente do sistema devolve esses recursos à sociedade em forma de saúde e cuidado.
Parabenizamos a instituição por provar que é possível ser um gigante na economia estadual e, com a mesma intensidade, ser imenso na solidariedade e no cuidado com a nossa gente.
Diante de tamanha efetividade, fica o convite – e, por que não, o desafio – para que outros órgãos de classe e entidades associativas enxerguem no exemplo da FECOMÉRCIO/MT um norte a ser seguido.
É fundamental que as demais instituições que representam setores produtivos compreendam que a representatividade política e os benefícios institucionais que auferem devem vir acompanhados de uma contrapartida social robusta.
Devolver à população uma parte do que se conquista não é apenas um ato de nobreza, mas um dever de quem prospera com o desenvolvimento do estado. Se cada setor replicasse essa lógica de reverter resultados em serviços diretos ao cidadão, construiríamos uma sociedade muito mais Justa e equilibrada.
Yale Sabo Mendes é juiz, mestrando em Ciência Política, e um pouco de historiador neófito
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