Agricultura
Queda do tarifaço alivia no curto prazo e reforça a necessidade de diversificar mercados
Agricultura
A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de invalidar a política tarifária adotada pelo governo de Donald Trump abriu uma janela de alívio para o agronegócio brasileiro, mas está longe de encerrar o ciclo de incertezas no comércio internacional. Por seis votos a três, os ministros entenderam que o Executivo não poderia impor tarifas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Nacional (IEEPA) sem autorização do Congresso, derrubando taxas aplicadas desde abril de 2025.
O impacto imediato é jurídico e financeiro. Estima-se que mais de US$ 175 bilhões tenham sido arrecadados no período. A decisão pode obrigar o governo americano a devolver parte desses valores — embora o reembolso não seja automático e dependa de ações judiciais individuais movidas por quem recolheu as tarifas como importador nos Estados Unidos.
Para o Brasil, o efeito mais visível é a recomposição da competitividade em setores que haviam perdido espaço no mercado americano. Café solúvel, pescados, mel, frutas e açúcar estavam entre os segmentos mais afetados pelo tarifaço. Em alguns casos, a perda de mercado foi abrupta.
No café, por exemplo, o segmento de solúvel — único sujeito a tarifa de 50% — registrou queda de 28,2% nas exportações ao mercado americano em 2025, somando 558,7 mil sacas. Durante o período de vigência da sobretaxa, a retração chegou a 40%. Já os embarques de café verde recuaram 55% entre agosto e novembro, intervalo de maior impacto das medidas. Os Estados Unidos deixaram de ser o principal destino do café brasileiro, posição que passou à Alemanha.
No pescado, cuja dependência do mercado americano é estrutural, os números também refletem a pressão tarifária. Em 2025, o Brasil exportou 75,5 mil toneladas, com receita de US$ 403,3 milhões. Os Estados Unidos responderam por 37% do volume, mas as vendas ao país caíram quase 7% em quantidade e 15,7% em faturamento na comparação anual. A tilápia, com mais de 90% dos embarques destinados aos americanos, foi um dos produtos mais atingidos.
O setor de mel também havia perdido competitividade diante de concorrentes latino-americanos que não enfrentavam as mesmas alíquotas. Na fruticultura, produtos como uva, melão e melancia registraram retração nas vendas externas após a adoção das tarifas, refletindo o ambiente comercial mais restritivo.
Mesmo no açúcar, onde parte significativa da safra 2025/26 já havia sido negociada, o impacto foi relevante. As usinas do Nordeste, que destinam cerca de 60% dos Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) ao mercado externo, enfrentaram redução de margem e compressão de preços ao produtor. A tarifa de 50% aplicada em agosto elevou custos e dificultou a negociação antecipada da safra seguinte.
O alívio, no entanto, veio acompanhado de novo movimento da Casa Branca. Após criticar a decisão da Corte, Trump anunciou uma tarifa global de 10% com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao presidente impor taxas por até 150 dias. A medida sinaliza que, embora o fundamento jurídico anterior tenha sido invalidado, a estratégia protecionista permanece.
A leitura predominante entre analistas é de que o cenário continua instável. A decisão judicial reduz o risco imediato e reforça a segurança jurídica, mas não elimina a possibilidade de novas barreiras. O Executivo americano pode recorrer a outros dispositivos legais ou abrir investigações comerciais que resultem em medidas compensatórias.
Diante desse quadro, a estratégia brasileira de diversificação de mercados ganha ainda mais relevância. Missões comerciais à Índia e à Coreia do Sul buscam ampliar o acesso para produtos como feijão, carne e algodão. São mercados de grande população e demanda crescente por alimentos, mas onde a presença brasileira ainda é limitada.
A eventual manutenção da decisão da Suprema Corte pode provocar rearranjos no comércio global. Com a retirada das sobretaxas, produtos americanos tendem a recuperar competitividade em mercados onde haviam sido substituídos por fornecedores brasileiros. A disputa por espaço deve se intensificar, especialmente em países que haviam reagido às medidas de Washington com políticas de retaliação.
No curto prazo, a derrubada do tarifaço devolve previsibilidade e abre margem para recomposição de contratos suspensos. Empresas expostas ao mercado americano podem rever estratégias de precificação e retomar negociações interrompidas. Ainda assim, o episódio reforça uma percepção já consolidada entre exportadores: o comércio internacional tornou-se mais volátil, menos previsível e mais sujeito a decisões unilaterais.
Isan Rezende
VEREDICTO: Para o agronegócio brasileiro, o veredicto representa um fôlego — não uma garantia. A competitividade foi restaurada formalmente, mas a estabilidade dependerá dos próximos movimentos de Washington. Em um ambiente global marcado por disputas comerciais e questionamentos às regras multilaterais, a cautela segue como palavra de ordem.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende a decisão da Suprema Corte norte-americana traz psicológico para quem exporta. “O produtor não trabalha apenas com preço — trabalha com previsibilidade. Quando um mercado do tamanho dos Estados Unidos muda regras de forma unilateral, a insegurança se espalha pela cadeia inteira, do crédito ao embarque. O que a decisão faz agora é restabelecer, ao menos temporariamente, a confiança de que contratos podem ser cumpridos”, opinou.
“O agro brasileiro é altamente competitivo por natureza. O problema nunca foi capacidade de produzir ou qualidade do produto; o problema foi entrar em campo com penalidade artificial. Tarifas desse tipo distorcem mercado, deslocam investimentos e tiram renda do produtor sem qualquer relação com eficiência econômica. Quando a competição volta a ser técnica e comercial, o Brasil naturalmente volta a ganhar espaço”, disse Isan.
“Mesmo assim, ninguém no setor está comemorando de forma ingênua. O comércio internacional entrou numa fase mais política do que econômica. Medidas podem surgir por outras vias legais, investigações comerciais ou exigências regulatórias. Por isso, a lição que fica é clara: depender excessivamente de um único destino sempre será um risco, por maior que esse mercado seja”.
“O episódio também reforça a importância de ampliar acordos e presença em outras regiões. Ásia, Oriente Médio e parte da África já não são apenas mercados alternativos, são estratégicos. Quanto maior a diversificação, menor o impacto de decisões unilaterais. O produtor precisa vender para vários compradores, não ficar refém de um só”, Avaliou o Presidente.
“Se algo positivo pode sair desse processo, é a consciência de que competitividade não depende apenas de porteira para dentro. Logística, diplomacia comercial, defesa sanitária e acordos internacionais são hoje tão importantes quanto plantar e colher. O agro brasileiro continua eficiente, mas precisa de ambiente institucional estável para transformar produção em renda”, completou Isan Rezende
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Simpósio vai debater a segurança jurídica nas cadeias do agronegócio
A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) realizará, nos dias 2 e 3 de março, em Cuiabá, capital de Mato Grosso, o I Simpósio Segurança Jurídica nas Cadeias Produtivas do Agronegócio. O evento ocorrerá no auditório da entidade e deve reunir representantes do setor produtivo, do Judiciário, da advocacia e da academia para discutir um dos temas mais sensíveis ao ambiente de negócios no campo: previsibilidade nas regras e estabilidade nas decisões.
Organizado em parceria com a Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Emagis-MT), o simpósio disponibilizará 50 vagas destinadas a magistrados e assessores de gabinete. A proposta é promover um debate técnico entre juízes, produtores rurais, advogados, professores e especialistas sobre questões que impactam diretamente contratos agrários, crédito rural, regularização fundiária, questões ambientais e execução de garantias.
A relevância do encontro está no fato de que decisões judiciais têm efeito direto sobre o fluxo de investimentos, a concessão de crédito e a continuidade das atividades no campo. Para produtores e dirigentes do setor, compreender a interpretação jurídica de temas sensíveis pode reduzir riscos e orientar estratégias de gestão. Para o Judiciário, o contato com a dinâmica das cadeias produtivas contribui para decisões mais alinhadas à realidade econômica.
A programação prevê a participação de membros e servidores do sistema de Justiça, juristas, acadêmicos, produtores rurais e lideranças setoriais. A abertura ficará a cargo do professor Marcos Fava Neves, da Universidade de São Paulo (USP), com a palestra “Direito, Agronegócio e Profissionalização: a educação como pilar para o contínuo desenvolvimento do setor”.
Também estão confirmados o professor Rafael Molinari Rodrigues, coordenador do LL.M em Direito do Agronegócio da Harven Agribusiness School; o diretor da CropLife Brasil, Arthur Gomes; e a diretora executiva da Sociedade Rural Brasileira, Patrícia Arantes, entre outros convidados.
Ao propor o diálogo direto entre quem produz, quem regula e quem julga, o simpósio busca reduzir assimetrias de informação e fortalecer a segurança jurídica — fator considerado determinante para a competitividade do agronegócio, especialmente em um Estado como Mato Grosso, líder nacional na produção de grãos e proteína animal.
Fonte: Pensar Agro
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